SOBRE "O Centro da Bahia"

Este livro foi concebido como um apelo. Que ao mostrar o belo inspire o bom. Ao retratar o singelo aflore o grandioso, pois grandiosa é a Chapada Diamantina, o Centro da Bahia.

É um apelo porque as belas imagens deste livro contrastam com outra realidade da região, onde a noite se ilumina também pelas chamas das queimadas. O turismo, muitas vezes irresponsável, dilapida monumentos. A ilusão do garimpo corrói a terra. As atividades econômicas nativas põem em risco o patrimônio natural.

A criação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, em 1985, por iniciativa do presidente José Sarney, foi o primeiro passo importante para preservar a região. Importante mas insuficiente. Nos 152 mil hectares da reserva, ainda vivem e dali tiram o sustento muitos proprietários. Os recursos naturais ainda são explorados sem o devido rigor da lei e a orientação adequada. Há necessidade de intensa fiscalização, além de planejamento e investimento para a sua consolidação como objeto de preservação permanente - conforme a legislação que rege os parques.

Estima-se em 1,6 bilhão de anos o 'nascimento' da Chapada Diamantina. Destes, muitos milhões de anos foram necessários para delinear a região e outros tantos para compor o cenário final com os seus adornos - rios, cavernas, animais, plantas... Tudo isso sem a interferência humana.

Hoje, no entanto, a Chapada está exposta. Ao contrário de santuários ecológicos como Amazônia e Pantanal, de difícil acesso e com barreiras naturais, ali nada dificulta ou impede a circulação humana em grande escala. Atraente e desprotegida, com uma localização privilegiada, a Chapada tem uma forte e crescente presença humana.

A delimitação e as eventuais punições já não são suficientes para conter o avanço da degradação. É necessário ampliar as ações de proteção, assim como buscar alternativas para a formação de uma nova mentalidade ambiental que defenda a Chapada e o planeta como um todo.

O Autor

Calil Neto, 41 anos, formou-se na Escola Focus de Fotografia de São Paulo, em 1982 e até 93, com estúdio próprio, desenvolveu trabalhos para as Editoras Abril, Globo e Moderna, os Jornais O Estado e Folha de São Paulo, empresas como a Fujitsu do Brasil, a WEA, revistas diversas e publicidade.

Coordenou a fotografia nos projetos Ruínas do Arquipélago de Fernando de Noronha, Reflorestamento da Ilha do Bananal, Centro Ecológico Vale do Rio Guaporé na Amazônia, Pantanal (Rio Piraim e Rio Cuiabá) e no projeto "Revele o Tietê que Você Vê" (Área da Represa de Promissão). Participou do livro "Verde Lente Fotógrafos Brasileiros e a Natureza", de autoria de Zé de Boni e de diversas exposições.

Em 93 fixou residência em Lençóis, onde além de trabalhos para publicações nacionais e internacionais, ministra cursos e mantém uma galeria fotográfica. Desde 97, Calil Neto está empenhado na documentação fotográfica das Orquídeas da Chapada Diamantina.

A familiaridade de Calil Neto com a Chapada Diamantina faz dele um observador privilegiado. Sua convivência com os caprichos da paisagem, luz e cor do Centro da Bahia o torna um especialista. Seu respeito e carinho com a região faz dele um apaixonado, como revelam suas fotos.